segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Poema perdido reencontrado


Suicídio de nós duas
--/02/2013

Não era para ser difícil...
Eu só desejava me perder mais uma vez em você
Mais uma vez? Besteira... Só aconteceu por uma noite, talvez eu me engane... talvez sempre nos perdemos quando nossa pele se tocava, isso explica o fato de você querer me repelir como um inseto.
A paisagem que enxergo agora faz-me pensar ainda mais, nesse estado de não pensar, em você. Daqui do vidro do CAC... sentada, encostada no vidro negro, crio lembranças de algo que nunca vivemos e sonhos do que nunca seremos... porque daqui eu vejo o décimo terceiro andar do Cfch, lá onde o caos se iniciou e lá onde farei nós irmos para baixo.
Vivemos, minha querida, por uma noite. Nos conhecemos ali no seu apartamento, quando eu te ajudava na tua moléstia e eu me torturava com uma ferida aberta que não parava de sangrar. Só precisamos nos tocar e descobrimos um casal que havia passado por anos de amor e cumplicidade....


Não importava o quanto nos víamos ou o quanto nos falávamos... você como Homem olhava para mim e enxergava o animal; me perdoe mas eu havia esquecido
Foi natural, mais do que natural, e o teu abraço que me questionava alegremente se isso era bom, me fazia querer calar-te: na natureza só existe o agora. Fomos animais, e assim os humanos nos odiaram. Na manhã seguinte eu fui embora...e ao partir levei comigo os dois animais que fom
o que o homem cercado de concreto, cimentou os seus sentimentos, esqueceu a natureza e odeia o animal. Não importava o quanto falava, o quanto chamava, gritava ou silenciava... você não entende minha linguagem. Por quê você pedia a minha ajuda? Para quê me torturar com o seu amor de outra vida? Se era para ser apenas uma noite, por que me pedir para amanhecer? Para quê me negar em palavras e me querer com os olhos?
O seu medo de tentar ignorou que há em mim um humano. Agora te digo adeus, pequeno homem amedrontado. Desejo que continues tocando as músicas que você jamais vai sentir, porque em alguma delas vais ouvir alguns versos que não consegui fazer quando fui embora. Adeus, agora subirei com o animal que fomos e os farei no concreto... e viverei assim... como uma mancha vermelha sem sentido no asfalto
.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Se depender de mim o cinema não ficará vazio
Se depender de mim o vinho nunca será sozinho
Se depender de mim o desespero nunca tem prazo
Se depender dos outros o sinal está fechado
Se depender deles o fim não é o resultado
Se depender não se depende
É melhor pedir pra não perder
É melhor não fingir se estar contente
Se depender de mim os abraços nunca terminariam
E a dor não teria espaço
A única dor seria a dor da saudade de pensar-te longe
Se dependesse do meu desespero eu me encontraria no lago
Se dependesse de você? Eu prefiro não depender.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

“Terça, 4
 Passando por Newark ao meio-dia, pude ver a ponte de Nova York, já escurecida pela poeira no ar, na noite criada por uma tempestade. Poderia ser o fim do mundo.
 Acho que o mundo vai acabar em preto e branco, igual a um filme antigo. (Cabelo preto como carvão, amor, pele branca como a neve.) Talvez, enquanto haja cores, consigamos sobreviver. (Lábios vermelhos como sangue, procuro sempre me lembrar.)
 Cheguei a Boston de tardezinha. Eu me pego procurando-a em espelhos e reflexos. Em certos dias, me lembro de quando os brancos chegaram a esta terra, e quando os pretos cambalearam no porto, acorrentados. Eu me lembro de quando os vermelhos andavam por esta terra, quando ela era mais jovem.
 Eu me lembro de quando a terra estava sozinha.
 - Como alguém pode vender a própria mãe? – Foi isso que as primeiras pessoas disseram, quando lhes pediram que vendessem a terra na qual pisavam.

Quarta, 5
 Ela falou comigo na noite passada, Era ela, tenho certeza. Passei por um telefone público na rua em Metairie, LA. Ele tocou. Peguei o fone.
 - Você está bem? – uma voz perguntou.
 - Quem é? – eu quis saber. – Talvez você tenha discados o número errado.
 - Talvez – ela disse. – Mas você está bem?
 - Não sei – respondi.

 - Saiba que você é ama – ela disse. E eu sabia que só podia ser ela. Queria lhe dizer que também a amava, mas ela já tinha desligado. Se é que era ela. Só falou por um momento. Talvez tenha sido engano, mas acho que não foi.
 Estou tão perto agora. Tenho um cartão-postal de um sem-teto na calçada com um cobertor cheio de coisas e escrevo Lembre-se no cartão, com batom, para que eu não me esqueça mais, mas o vento vem e o leva embora, e acho que, por enquanto, vou continuar andando.”

Páginas de um Diário Encontrado numa Caixa de Sapatos Abandonada num Ônibus da Greyhound em Algum Lugar entre Tulsa, Oklahoma, e Louisville, Kentucky - Neil Gaiman (Coisas frágeis 2)

quarta-feira, 1 de maio de 2013


Mesmo eu não querendo
Não consigo não sentir...
O vidro abafado e a noite que permeia lá fora a rua
não são suficientes,
As vozes que ouço parecem sussurros poucos identificáveis
E na ausência eu sinto
Sinto meu coração pulsar sobre o móvel
Mesmo quando respiro fundo
Eu sinto que deveria chorar,
Que talvez nunca mais te farei dormir enquanto você descansa sob meu colo
Agora sinto o quão difícil é compreender sua linguagem
você Sul... eu norte.
e eu só sinto.

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